Terça-feira, Abril 18, 2006

da janela

A amplitude da janela. O devaneio da vida.
Um andarilho apressado. Solitário.
O vento rasga a face e fuma meus cigarros.
Sim. Aqueles cigarros da saudade.
A fumaça se dissipa veloz. Me sinto só outra vez.
Minha insignificância é poética. A solidão também.
Tudo está tão inerte. Incompleto.
O aço, o concreto... não se mexem. O vento vívido reage.
Inutilmente. A vida morta se apresenta.
Luz! O sol ressurge no gris firmamento.
Em vão. A paisagem é estática. Não sabe dançar ao som do sopro divino. Quem diria à chama ardente?
Resta a mínima movimentação robótica em caminhos que eu não escolhi.
Queria ser como aquele papelão. Jogado ao acaso.
Invisível aos olhos do caos. Menosprezado. Subjugado.
Mas que acolhe. Aquece. Sabe dançar.
E escolhe seus caminhos na maré dos ventos.
Deslizando, lá no alto, sobre a imobilidade dos fracos.